Wall Street Journal: Ninguém Segura o Trabalho Remoto

Wall Street Journal: Ninguém Segura o Trabalho Remoto
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Em matéria do The Wall Street Journal, intitulado “Why Remote Work Can’t Be Stopped”, o jornalista Christopher Mims apresenta uma análise comparativa entre as empresas que extinguiram seus programas de trabalho remoto e a tendência inexorável de trabalhar de qualquer lugar.

Entre as observações principais da matéria estão os seguintes pontos:

A empresa Dell Computers entrevistou seus 110.000 colaboradores sobre seus hábitos de trabalho e concluiu que apesar de somente 17% estarem formalmente autorizados a trabalhar de onde quiserem, na prática 58% já estavam trabalhando remotamente por conta, pelo menos um dia na semana. Esses dados foram vistos como positivos pelo diretor de RH Steve Price que em 2013 traçou o objetivo de que a que metade de seus colaboradores trabalhassem remotos. Porém sua projeção era de que isso acontecesse somente em 2020, ou seja, a meta foi atingida muito antes do previsto.

Em contraste, empresas como IBM, Yahoo, Bank of America e Aetna resolveram extinguir seus programas de trabalho remoto. Porém, a matéria apresenta dados que este demosntram que este movimento ocorre na contra-mão da tendência natural de trabalhar de qualquer lugar, incentivado por ferramentas mais eficazes de comunicação e gestão remota.

Este caminho sem retorno ficou demonstrado em uma pesquisa de 2016 do Instituto Gallup que revelou que 43% de todos os trabalhadores nos EUA relataram executar suas atividades em home office pelo menos alguns dias do ano. Em 2012 esta estatística era de apenas 39%.

A pesquisa também revelou que 20% dos norte-americanos trabalha exclusivamente a partir de um escritório em casa. Em 2012, apenas 15% trabalhavam home office, revelando um crescimento considerável em apenas 4 anos.

Entre as empresas que permitem o trabalho remoto ao menos parte do tempo estão a Amazon, American Express, UnitedHealth e Salesforce.com.

Apesar da IBM relatar não ter percebido economia no home office, outras empresas citam grande redução de custos imobiliários entre outras diversas vantagens em permitir o home office, como satisfação dos colaboradores e atração e retenção de talentos.

A realidade é que a maioria das empresas que emprega o trabalho intelectual ainda estão aprendendo quais atividades podem ser executadas remotamente com maior eficácia.

O diretor da Dell comenta que a transição para o trabalho remoto não é fácil e por isso é imprescindível que a equipe virtual esteja munida das ferramentas adquadas para executar suas atividades remotamente.

Para entender estas questões, vale analisar empresas como a Automattic (que produz a plataforma wordpress) onde quase todos os seus 558 colaboradores são remotos. Apesar de estar em franco crescimento, a empresa está devolvendo seu espaço de 1300 m2 em um bairro descolado de São Francisco, Califórnia, já que em um dia normal de trabalho apenas cinco pessoas aparecem para trabalhar nos escritórios. O jornalista brinca que na sede da empresa existem mais mesas de ping-pong e pebolim do que pessoas trabalhando.

Com um time que trabalha em diferentes fuso-horários, a empresa utiliza a ferramenta Slack para comunicação remota, a plataforma Zoom para as videoconferências semanais e seu próprio sistema de comunicação para documentar os projetos e auxiliar nas tomadas de decisão.

O criador do site Longreads, adquirido pela Automattic, observa que quando todos utilizam estas ferramentas a percepção é de que ninguém foi deixado de fora. “todo mundo tem a sensação de que está junto na sala de reuniões”.

Julia Amosova, engenheira na Automattic, considera que uma equipe distribuída em diversas locações pode trazer ainda outras vantagens. A comunicação realizada nas ferramentas online garante uma transparência radical para todos na empresa, algo que não é tão comum em empresas que realizam reuniões presenciais a portas fechadas, onde a unidade da equipe acaba prejudicada já que alguns colaboradores podem não se sentir incluidos nos processos decisórios.

Mas ser uma empresa 100% remota é uma opção reservada apenas para empresas de software. A Dell, que fabrica hardware, comenta que algumas áreas da empresa não estão aptas ao trabalho remoto, como a parte de engenharia, liderança, pequeisa e desenvolvimento, vendas e atenimento ao consumidor. Já outras áreas da empresa funcionam muito bem remotamente como o RH, o jurídico, o marketing, a análise de dados e outras funções de suporte.

A matéria garante que as ferramentas de comunicação remota funcionam como os pontos de encontro acidental entre colaboradores nos espaços comuns dos escritórios e que geram conversas e troca de informação. Como as áreas próximas aos bebedouros ou banheiros, por exemplo.

A ferramenta de comunicação por mensagens Slack é um exemplo disso. Ela foi criada com características que tornam a comunicação mais fácil, eficiente e até mais divertida, com possibilidade de integração com outros softwares utilizados na empresa, biblioteca de chatbots e envio de gifs animados.

Mas o que é ainda mais importante do que as ferramentas são os processos que acontecem através delas, segundo Jason Fried, co-fundador e CEO da plataforma Basecamp de colaboração remota e gestão de projetos. Segundo ele, todos na equipe devem estar alinhados e motivados em participar do processo. Caso contrário, existe a possibilidade de que alguma informação chave seja perdida no meio do caminho.

Segundo Price, o diretor de RH da Dell, a empresa deve estar comprometida com essa transformação digital. E estar pronta para investir e executá-la com qualidade. Caso contrário surgirão questões morais, problemas de comprometimento e falta de engajamento na cultura da empresa.







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