São Paulo, trabalho e três fatos estranhos

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No início desta semana, ficamos dois dias em SP para divulgar nosso segundo livro. Algumas coisas sempre me intrigaram na “paulicéia desvairada”, mas desta vez três fatos relacionados à forma de trabalhar me chamaram a atenção.

1. Em algumas das empresas que visitamos, percebi uma quantidade enorme de estações de trabalho vazias. Entre 60% a 70% das mesas e computadores estavam subutilizados. Imaginei o custo para manter toda esta estrutura funcionando: o metro quadrado de um aluguel comercial em SP, os custos com energia elétrica e condicionamento de ar, limpeza e manutenção, depreciação de equipamento e mobiliário… De quanto seria a economia se estas empresas adotassem uma combinação de trabalho portátil (trabalhar de qualquer lugar) e free-address (estações de trabalho “sem dono”), que permitisse reduzir e otimizar seus espaços físicos de escritório?

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2. As poucas pessoas que estavam efetivamente trabalhando nestes espaços de escritório, não estava interagindo e trocando ideias conforme o senso comum de quem defende o formato tradicional de trabalho. Cada colaborador estava desligado do mundo, vidrado em sua própria tela e usando fones de ouvido para se isolar ainda mais do ambiente. Muitos deles, provavelmente, conversam por e-mail ou SMS mesmo estando a duas ou três mesas de distância. Qual seria a diferença, na prática, se parte destas pessoas executasse suas funções de locais alternativos e se comunicasse utilizando as diversas ferramentas já disponíveis?

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3. E finalmente o trânsito. Tanta coisa já foi dita sobre o tempo perdido em congestionamentos que isso já nem chama mais a atenção. O que é estranho para mim agora é o que as pessoas têm feito para se adaptar a esta situação extrema. Por exemplo: não contar mais com a pontualidade. Na cidade mais ocupada e dinâmica do Brasil, não é possível saber qual o horário de início de uma reunião. Como ninguém sabe ao certo como vai se comportar o tráfego (imprevisível como se tivesse personalidade própria), existe uma tolerância de uma hora ou mais para atrasos. A pergunta é: como um executivo pode planejar uma agenda produtiva, se não sabe quando começa e quando termina cada evento do seu dia?

O que não foi estranho nesta viagem para SP foi perceber que 100% das pessoas com quem conversei acham que a situação está impraticável e que algo tem que ser feito. E que a resposta para estas situações irracionais que estas pessoas têm que enfrentar todos os dias está no trabalho portátil: uma solução simples, rápida e de baixo custo para as idiossincrasias desta cidade tão importante e com pessoas tão trabalhadoras, e que exatamente por isso, merecem uma vida com muito mais qualidade.

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1 Comment

  • Edna

    Reply Reply 8 de agosto de 2013

    A alguns anos venho acompanhando seu blog que muito me ajudou a criar o meu a também realizar o meu TCC na faculdade. E isto que tens comprovado é fato não muda, cheguei a trabalhar em casa, por alguns tempo e pude saber o motivo que isto não muda, você pode ter até 1000 computadores a seu dispor, mas se não houver a tecnologia de internet não adianta você não tem como se comunicar para um teletrabalho perfeito. E depois de 20 anos que ela foi inventada ainda deixa muito a desejar e esta a passos curtos para que este sonho seja realizado. Trabalhei como suporte técnico da Telefônica/vivo e vi o quanto eles não se importam de mudar isto é tudo burocrático. Trabalhei um ano em casa e entrei em surto depressivo e perdi meu emprego por não ter como trabalhar como voip, por trabalhar com uma banda larga precária de 256 kpps. E na minha cidade acredito eu (cidade esta que esta há uma hora de SP) que esta muito longe de um dia ter uma tecnologia de ponta em internet. Ainda te digo no centro de SP praça da Sé entre outros começaram a implantar fibra ótica em 2011, quando eu trabalhava na telefônica. É aguardamos o futuro.

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