Quero te contar uma coisa sobre home office

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Semana passada, um site brasileiro publicou um artigo contando algumas desvantagens do home office “que ninguém te contou”. O título – e o texto – sugerem que o home office pode ser uma armadilha. Texto descolado e bem humorado (e bem escrito, tenho que reconhecer), recebeu alguns apoios nos comentários, mas diversas pessoas se manifestaram a favor do trabalho remoto. Como também não concordo totalmente com o teor do texto, achei importante me posicionar sobre o assunto. Então lá vai:

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O home office tem seus desafios. Sei disso porque trabalho home based desde 2003. Mas depois de tantos anos trabalhando em casa descobri que as soluções para estes problemas podem ser simples. Basta ter o perfil certo e buscar as informações confiáveis.

Mas acho que os maiores problemas não acontecem no home office. Os problemas estão no modo tradicional de trabalho, que obriga uma pessoa a ficar mais tempo no trânsito do que com seus filhos. Ou a perder um tempo útil em reuniões inúteis. Ou não ser devidamente valorizado em um mundo corporativo brasileiro onde muitas vezes a meritocracia é substituida pelo conchavo e pela politicagem.

Por isso, apesar dos problemas que ninguém conta sobre trabalhar de casa, precisamos deixar de tratar o home office como um improviso profissional (como alguns familiares o vêem) ou como um atalho assistencialista do tipo “trabalhe-em-casa-e-ganhe-muito-pergunte-me-como” (como muita gente interpreta o assunto).

O desafio aqui é mudar essa percepção e mostrar que quem trabalha em casa não é um Homer Simpson de pijamas tomando uma Duff. Quem trabalha home office trabalha MUITO (de 20% a 40% mais do que quem trabalha no escritório tradicional – dados EUA). E trabalha de forma inteligente, coerente, inovadora, em um formato que permite que as mulheres possam conciliar carreira e maternidade. Permite que Pessoas com Deficiência tenham mais oportunidades. Permite que profissionais seniores continuem podendo contribuir com sua experiência. E, principalmente, permite que todos nós possamos ter mais TEMPO e QUALIDADE DE VIDA, que – no passar da régua – são os valores que realmente importam nesta vida.

Eu e a Marina estamos trabalhando desde 2006 para tentar mudar a cara do home office no Brasil. Mudar uma percepção depreciativa sobre o home office, que muitas vezes parte dos próprios home officers. E neste processo descobrimos que somos centenas de milhares de brasileiros que trabalham remotamente com uma atitude extremamente profissional e de forma altamente produtiva. Isso nos incentivou a criar o GoHome e escrever os primeiros livros brasileiros sobre o assunto.

Nosso objetivo é contar o que ninguém conta sobre trabalhar de casa. E até agora, todo mundo tem gostado muito do que ouviu.

Abraço,
André Brik