Os filhos do home office

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Imagine poder estar ao lado do seu filho quando ele está com febre ou envolver-se de verdade com as questões da sua vida. Agora imagine você tendo que se concentrar em um projeto com prazo estourado, enquanto o Pokemón berra no volume 10 da TV. Eu, por enquanto, só posso imaginar, pois filhos só estão em nossos planos futuros. Mas a teoria tem ótimas soluções para gerenciar as dificuldades desta que pode ser uma grande vantagem em trabalhar de casa: estar presente para os filhos sem abrir mão da carreira profissional.

A reação de uma criança ao ter seus pais trabalhando de casa vai depender da sua idade, a idade que ela tinha quando o home office foi estabelecido, da sua personalidade, do perfil da família em que está inserida e da natureza do trabalho que é executado. No geral, as crianças adoram ter seus pais à disposição, mas muitas vezes a situação pode ficar confusa para eles. Afinal de contas, seus filhos não o vêem como designer ou jornalista, mas como o pai e a mãe. Se você quer que a presença das crianças seja tanto agradável quanto produtiva, um bom começo é apresentar sua profissão aos seus filhos, e ensiná-los que – uma vez em casa – você terá outro papel além de ser pai ou mãe.

Os primeiros passos para ajustar seu home office para que funcione em um lar com crianças devem partir de você. Não espere que crianças ajam como adultos só por que você trabalha de casa. Aceite que crianças são barulhentas por natureza e expressar-se (às vezes aos gritos) faz parte do seu desenvolvimento. Lembre que a liberdade de brincar sem maiores preocupações é o que constrói uma infância cheia de boas lembranças. Diga para seus filhos onde e quando você estará trabalhando. E principalmente quando estará disponível, quando não pode ser incomodado e quais as situações que merecem uma interrupção.

O livro “Working from Home” ensina que devemos pensar mais em termos de um escritório à prova de crianças do que em crianças “à prova de escritório”. O ideal é organizar sua agenda e definir o local do seu home office de forma que seus filhos possam ter uma vida “normal” em casa, sem que isso atrapalhe seu trabalho.

Da mesma forma, você precisa saber que pode contar com seus filhos para que se comportem de modo responsável e de acordo com a fase de desenvolvimento em que se encontram. Tenha sempre em mente que eles não precisam da sua atencão o tempo todo, e que podem crescer e se desenvolver muito bem enquanto você trabalha sem ser incomodado no seu escritório.

“Filho, diga oi pro tio Home office”
Antes de trazer seu computador para a antiga sala de costura e começar a atender seus clientes pelo telefone, você deve preparar seus filhos para o que vai acontecer. E precisa também estar preparado para responder uma série de questões que provavelmente vão surgir, como por exemplo:

1. Por quê você está trabalhando em casa?
Lembre-se de que o home office ainda é uma idéia estranha para muita gente, e que os pais dos colegas dos seus filhos provavelmente ainda estão “assinando o livro ponto” em algum escritório tradicional. Explique para as crianças os motivos e vantagens que fizeram com que você viesse trabalhar de casa, ensinando, por exemplo, que desta forma você não perde tempo dirigindo até o trabalho.

2. Por que você está aqui, mas a gente não pode brincar?
Seus filhos ficarão animadíssimos ao saber que de agora em diante você estará em casa na maior parte do tempo. É normal que confundam sua presença com aquela disponibilidade do fim de semana com a qual estão acostumados. O segredo aqui é conseguir convencê-los de que seu trabalho no escritório de casa é igual ao que você tinha antes no escritório longe de casa. A única diferenca é que algumas vezes vai poder sair e vir brincar com ele, mas isso não vai acontecer o tempo todo.

Esta transição é o maior desafio enfrentado por mães recentes que resolvem voltar ao mercado de trabalho em um home office.

3. Por que chamar a babá se você está em casa?
Pelo mesmo motivo acima…

4. O que vai mudar na casa?
Explique que algumas partes da casa podem virar escritório (às vezes até o quarto de brincar). Diga que de agora em diante eles terão que ajudar mais, por exemplo recolhendo seus brinquedos do chão, já que um cliente pode chegar a qualquer momento. Dependendo da idade dos seus filhos, avise que eles terão que assumir algumas responsabilidades extras, como fazer seu próprio lanchinho da tarde uma vez ou outra. Comente sobre reuniões, como elas funcionam, quem virá à casa e como eles devem se comportar na presença de visitas/clientes.

5. O que é mais importante para você: eu o o seu trabalho?
Coloque-se no lugar de uma criança que – por dividir a atenção dos pais com o trabalho – pode se sentir deixada de lado. O que ela precisa nesta hora é que você transmita segurança afirmando com sinceridade que ela ainda é a coisa mais importante para você. Lembre seu filho que isso não é uma competição, mas que seu trabalho precisa ser feito pois é importante para a família e para muita gente. Para criancas maiores, esta pode ser uma ótima oportunidade de introduzir o conceito de trabalho como algo edificante e – por que não – gerador de dinheiro.

Seja firme com as regras que estipulou anteriormente, mas permita que a criança faça perguntas. Escute seus pedidos, mas deixe claro que ela também deve levar em conta suas necessidades de espaço e tempo para trabalhar. Se surgirem problemas (choro, manifestações de raiva ou interrupções freqüentes), converse com seu filho antes de puní-lo.

Regras de comportamento para crianças
Mesmo considerando que a criança precisa ter uma vida normal dentro de uma casa com home office, alguns limites precisam ser estabelecidos para evitar problemas. Uma comunicação aberta, regras claras e consistência são essenciais para que seus filhos saibam quais comportamentos são aceitáveis, e o que não é permitido. Para tornar esta convivência mais fácil, procure seguir as dicas encontradas no livro “The Home Office Sollution”:

1. Estabeleça regras.
Se seus filhos já tem idade suficiente para entender e seguir regras, defina uma lista curta e clara de atitudes que você espera dele. Alguns exemplos que já se provaram eficazes:

• Em quais situações é permitido interromper.
Deixe claro que só estará disponível para ele em algumas horas do dia, e que mesmo nestas horas não é sempre que você poderá dar atenção para ele. E se você estiver ao telefone, raramente poderá ser interrompido.

• O que é uma emergência.
Diga que você poderá ser interrompido em caso de emergência. Mas antes disso defina – através de exemplos – quais situações podem ser consideradas emergências e quais podem esperar para mais tarde.

• Utilize sinais.
Crie algum tipo de sinalização ou símbolo para pendurar na porta do seu escritório indicando que naquele momento não pode ser incomodado. Um disco de papel verde de um lado e vermelho do outro, por exemplo. Pedir para que seus filhos ajudem a criar e desenhar esta sinalização pode ser uma forma de envolvê-los ainda mais no processo.

• O telefone do escritório.
Não permita que seus filhos atendam a linha do escritório, ou usem para ligações pessoais. Eles deverão utilizar somente a linha telefônica residencial.

2. Seja consistente com as regras
De nada adianta criar uma lista de regras se você abrir exceções a todo momento. Pode ser confuso para a criança saber quando a regra está valendo ou não. Da mesma forma novas regras (ou adaptações complementares) podem ser estabelecidas e devem ser obedecidas. Uma vez que se permite quebrar uma regra, é difícil voltar atrás.

Esta obediência pode não funcionar tão bem com crianças pequenas. Principalmente a regra de não poder interromper. Neste caso, vale a pena mostrar alguma flexibilidade e compreensão.

3. Prepare-se para ser testado
É grande a possibilidade de que as crianças – principalmente as mais velhas – testem os limites do código de regras que você estabeleceu. Uma vez que as regras já foram explicadas, entendidas e são justas para ambos os lados, você tem argumentos para ser firme com a obediência do que foi combinado.

4. Aprenda a dizer “não”. De verdade!
Muita gente não consegue dizer “não” para seus filhos. Ou quando o fazem, trazem na voz um tom de conivência, que é percebido de longe por qualquer criança. Se você realmente quer trabalhar de casa, é crucial que você aprenda a dizer “não” com firmeza para seus filhos, quando isso for necessário.

Regras de comportamento para os adultos.
Os adultos também precisam saber se comportar corretamente para que este novo formato de convivência dê certo.

1. Vá para o seu canto.
Montar seu escritório isolado do resto da casa pode ser uma solução simples, didática e eficaz para estabelecer a separação do que é escritório e do que é casa. E por consequência, definir em quais momentos você será o “pai em casa” e quando será o “trabalhador… em casa”. Para separar fisicamente o “office” da “home”, vale qualquer solução: quarto com porta, garagem, sótão, porão, casa pré-fabricada no jardim, edícula nos fundos do terreno, casa na árvore ou até um trailer estacionado na frente da casa).

2. Só “apareça” em casa se deixar a cabeça no escritório.
Nos momentos em que estiver disponível para seus filhos, esteja 100% presente. Procure não atender o telefone ou checar e-mails no smartfone. Caso contrário vai ser difícil convencer as crianças de que você dá mais importância a elas do que para seu trabalho.

3. Envolva-se em algumas atividades dos seus filhos.
Encaixe na sua agenda um tempinho para participar da rotina dos seus filhos. Por exemplo: levá-los no treino de futebol. Programe-se com antecedência como e quando isso vai acontecer. E então, aproveite sem culpa mais este privilégio que o home office pode oferecer.

4. Envolva seus filhos em algumas de suas atividades.
Outra forma de passar mais tempo com seus filhos é levá-los com você quando sai para rápidas atividades relacionadas ao seu trabalho: uma ida ao banco ou à loja de materiais de escritório. De vez em quando deixe que entrem em seu escritório e mostre algum projeto que está desenvolvendo. Demostre seu entusiasmo pelo que faz e deixe que também participem e sintam-se parte do seu sucesso.

5. Cuidado com a culpa…
É bem comum que pais que trabalham de casa sintam-se culpados por não estarem com os filhos o tempo todo. Afinal de contas, eles estão logo alí, na sala ao lado. Outro tipo de culpa é o de não estar trabalhando nos momentos em que brincam com seus filhos. Para lidar com estas culpas, procure conscientizar-se do seguinte: 1. é com o dinheiro ganho no seu trabalho que você pode prover o bem-estar dos seus filhos, e 2. ao trabalhar de casa você presenteia seus filhos com uma quantidade e qualidade de tempo e divertimento que ele não teria se você trabalhasse em um escritório tradicional. E nesta equação entra também o tempo ganho por não precisar se deslocar até o trabalho… Conclusão: relaxe, pois você tem crédito com seus filhos e com seus clientes.

6. Evite expor demais seus filhos aos problemas corporativos dos adultos.
Os assuntos do escritório devem – na medida do possível – não invadir o espaço da casa. Se seus filhos se mostram muito preocupados com fatos que não pertencem a sua realidade infantil (o preço das coisas ou a falta de dinheiro, por exemplo) ou se demonstram nervosismo (chupando o dedo, roendo a unha ou torcendo a ponta dos cabelos) quando os pais discutem assuntos do trabalho, pode ser um sinal de que eles estão sendo prematuramente imersos em um mundo de preocupações e aflições para os quais não têm (e nem deveriam ter) estrutura.

É obvio que assuntos de trabalho surgirão. E é muito difícil não trazer a tensão de um projeto atrasado para a mesa do jantar (se bem que isso também ocorre com frequência no jantar de quem trabalha em um escritório tradicional). O segredo nestes casos é não exagerar. Procure também tranquilizar as crianças nos momentos de maior estresse, garantindo que apesar do tom da sua voz e do calor das argumentações, tudo está bem. Comente que este tipo de problema é normal entre os adultos e que tudo será resolvido.

Evite falar de suas angústias no trabalho com seus filhos. Ou reclamar dos clientes, da rotina e da profissão perto das crianças. Elas vão acabar associar o trabalho como algo ruim, e este é um valor que provavelmente você não deseja transmitir para seus filhos.

Quando precisar fazer uma catarse, converse com seus colegas de profissão (ou escreva para o blog). E acima de tudo separe as coisas! Nem o cachorro merece que você desconte suas frustrações de trabalho nele!

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