O home office e a inclusão: conheça a história de Piero

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Piero Vergílio tem 29 anos, é jornalista freelancer, cadeirante e trabalha em home office. Em seu blog pessoal (clique aqui), posta as reportagens de sua autoria, disponíveis também para download. Determinado, Piero acredita no home office como uma ótima solução para os cadeirantes, que deveriam ter a chance de conquitar cargos mais estratégicos nas empresas. Acompanhe mais da entrevista dele para o GoHome:

– Desde quando trabalha em home office e por quê?
Comecei a trabalhar em home office no início de 2007, por sugestão de uma ex-professora que me deu aula durante a graduação (concluí o curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo em 2005). A opção por essa modalidade se deve ao fato de parte das empresas não estarem adaptadas para receber as pessoas com deficiência. O ambiente doméstico minimiza as minhas poucas limitações físicas.

– Quais são os maiores benefícios e desafios?

O maior benefício, sem dúvida, é a flexibilidade de horário. O compromisso de qualquer profissional é executar seu trabalho com qualidade, dentro do prazo estabelecido. Uma vez cumpridas estas duas premissas, passa a ser secundário se ele trabalha às 9h, 15h ou 22h, por exemplo. O maior desafio, no meu caso, não reside no home office, e sim no fato de ser freelance, e, portanto, estar sujeito à instabilidade do mercado. Neste momento, depois de certa tranquilidade, estou em busca de novas parcerias profissionais. Mas essa oscilação também tem um saldo positivo, pois nos obriga a sair de nossa zona de conforto.

– Qual seria a formatação de trabalho ideal para um cadeirante?

No meu caso específico, nada muito diferente de outro profissional: apenas um PC conectado à internet e um telefone, por meio do qual faço todo o contato com os meus “chefes” e as entrevistas com os personagens que ilustram minhas reportagens. Algumas vezes, sempre mediante combinação prévia, saio “a campo” para fazer a cobertura de eventos culturais (shows e peças de teatro).

– Já trabalhou em empresa alguma vez? Como vê esta questão? As empresas estão preparadas?

Por pouco meses trabalhei de forma convencional, numa livraria, mas não na minha área. Até que decidi me dedicar à profissão. Acredito que, embora seja crescente o esforço das empresas nesta direção, nem todas estão preparadas para contratar profissionais com deficiência. Há algumas limitações, restritas não somente à esfera estrutural, mas também à ideia equivocada de que o deficiente é limitado. Os cargos e cursos oferecidos, em sua maioria, não requerem um grande volume de conhecimento ou habilidades específicas, como auxiliar de limpeza, telemarketing ou faxineiros. Minha intenção aqui não é nem de longe desmerecer nenhum destes profissionais – que, ao contrário, detêm todo o meu respeito – mas enfatizar o quão raro é um deficiente exercer uma função estrategicamente importante dentro de uma corporação.

– Mais alguma observação ou comentário?

O maior presente que o jornalismo me dá é a oportunidade de conhecer pessoas e contar suas histórias. Esta é, em essência, a nossa missão: retratar as mazelas e também as muitas maravilhas deste mundo em que vivemos. (Sim, sou um otimista incorrigível). Ao longo de seis anos de atuação, pude ter contato com muitos projetos bacanas e extremamente inspiradores. É sempre um prazer quando, por meio do seu trabalho, você consegue fazer com que as pessoas reflitam sobre o mundo em que vivemos. Convido a todos os leitores do GoHome a visitar meu blog para conhecer mais da minha história.

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