O dilema da felicidade corporativa

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A revista Exame publicou uma matéria interessante sobre a tendência cada vez maior entre os executivos das grandes empresas: a de desequilibrar sua vida para o lado do trabalho. Ao dar prioridade para as possibilidades de recompensa à curto prazo que o trabalho oferece (uma promoção, por exemplo), os executivos estão cultivando cada vez menos seus relacionamentos com família e amigos em uma escolha que pode levar à solidão e à infelicidade. Uma pesquisa realizada pela Betania Tanure com 1000 altos executivos das 500 maiores empresas do Brasil, revelou dados alarmantes sobre o assunto:

• Os presidentes, diretores e gerentes das grandes empresas atualmente trabalham em média 14h15 por dia.

• Passam em média 1,5 dias da semana em viagens

85% sempre trabalham no fim de semana (em 2006, a média era de 26%)

90% nunca tiram 30 dias corridos de férias (a média é de 10 dias/ano)

30% não tiram férias há mais de 3 anos ou mais (em 2006, a média era de 18%)

• As consequências desta rotina insana: 75% dos executivos estão insatisfeitos com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. E 95% (!) dos seus cônjuges estão descontentes com esta situação.

A matéria coloca o trabalho em casa como uma das soluções que poderiam equilibrar esta equação. Mas destaca que esta modalidade acaba encontrando um obstáculo na desconfiança e na forma retrógrada de gerenciar pessoas no Brasil. Em muitas empresas brasileiras, os programas de trabalho remoto só começam a ter sucesso quando os diretores dão o exemplo e também aderem ao home office. Isto ocorre por que a percepção geral é de que os funcionários mais confiáveis e dedicados são aqueles que permanecem mais tempo no trabalho, independente da qualidade do seu desempenho. E nem mesmo os chefes que já estão gerenciando uma equipe remota escapam desta forma de pensar.

Ao que tudo indica isto é um problema cultural, pois em países mais desenvolvidos esta diferenciação entre presença e produtividade já foi estabelecida há muitos anos. É o caso da Dinamarca, onde empresas como a Maersk, conhecidas por suas longas jornadas de trabalho, tiveram que ceder e adotar o home office. Citando um dos diretores de RH da empresa: “Não me importo que eles se sentem na lua e de lá trabalhem – contanto que me entreguem o que é pedido”. “Mais do que estar presente no escritório, o foco hoje está em fazer um bom trabalho”, comenta um analista sênior da mesma empresa.

A busca pelo equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal dos executivos passa pelo escritório em casa. Mas antes disso, depende de uma mudança na forma de pensar dos próprios executivos, que devem assimilar o novo mantra da felicidade corporativa: presença não é produtividade.

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As matérias da Exame foram escritas por Cristiane Mano, Patricia Ikeda e André Faust.

1 Comment

  • ANdre

    Reply Reply 13 de fevereiro de 2013

    teste

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