Nova tendência nas empresas: garden office

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Cada vez mais, as empresas tentam fazer com que seus ambientes de trabalho sejam mais aconchegantes, chegando o mais próximo possível de um ambiente caseiro. Assim, as pessoas sentem-se mais à vontade e produzem mais. No home office, claro, o garden office pode ser aplicado por quem tem casa ou um espaço verde no condomínio.
Áreas verdes sempre nos inspiram e, mais importante, é muito mais saudável do que ficar um dia inteiro preso em uma sala fechada no ar condicionado.

Acompanhe a matéria do jornal O Globo sobre o assunto.

gerden office

São 11 horas da manhã de uma sexta-feira e Flavia Miranda, coordenadora de branding da grife Farm, convoca sua equipe e a de marketing para a reunião semanal.

— Vamos para a sala-jardim — diz a todos.

Poderia ser o nome de um ambiente recheado de plantas e flores, mas, na verdade, não é bem assim. O jardim do imenso galpão onde funciona a grife, em São Cristóvão, foi incorporado ao escritório (com 30 salas, ao todo) e ganhou uma função que vai além de uma agradável área ao ar livre para pequenos descansos durante a jornada de trabalho. Este tipo de espaço, chamado por paisagistas de garden office (ou jardim-escritório, em português claro) vem se enraizando por aqui.

No caso da Farm, ele tem chão de pedras, mesa, bancos e poltronas de madeira, flores da estação, trepadeira subindo pela parede, uma mangueira e muitas palmeiras. Os funcionários se espalham por lá com laptops à mão, caneta, papel, cafezinho, como em qualquer reunião mais convencional.

— Profissionais de todas as áreas usam o espaço — conta Flavia. — Por ser jardim, muita gente acha que reservamos para cá temas mais leves, só ligados à criação, mas reuniões mais burocráticas, de negócios e números, também acontecem com frequência na sala-jardim.

A imensa área verde da Landscape, empresa de paisagismo em Vargem Pequena, virou bem mais do que apenas um showroom. Além de receber clientes e mostrar-lhes lá mesmo algumas espécies de plantas, é onde o paisagista Claudio Pedalino e a bióloga Suzi Barreto, casal e sócios no negócio, discutem praticamente todas as fases dos projetos com a equipe. Para isso, espalharam cinco mesas de reunião (pequenas, médias e grandes) pelos 500 metros quadrados do jardim, que tem laguinho, pedregulhos, canteiros floridos e deques de madeira.

Para montar um ambiente de trabalho verde, Susi Barreto explica que é preciso dispor de uma área de, no mínimo, 16 metros quadrados, o suficiente para colocar mesa e erguer um jardim à sua volta. Outro ponto importante é tentar “refrescá-lo”, recorrendo a árvores, estruturas construídas e toldos — com os termômetros fervendo nesta época do ano, haja sombra e água fresca.

— Nesse tipo de projeto, costumo usar muito samambaias, pelo de urso, columeias e árvores como lofanteras, que produzem sombreado, mas sem ocupar muito espaço — indica Susi.

A bióloga acrescenta que não se pode esquecer de investir numa boa iluminação, em tecnologia wireless e pontos de energia para carregar o computador portátil e outros equipamentos. E, claro, compor a decoração com móveis que resistam ao tempo, como os de madeira ipê, cumaru, teka e itaúba.

O quarteto da Ao Cubo Arquitetura seguiu todos os requisitos para criar o jardim que virou sala de reunião numa casa no Humaitá. Debaixo de uma mangueira, numa área de 25 metros quadrados, peças de madeira de demolição integram o cenário juntamente com outras coloridas, repaginadas pelo ateliê Lá na Ladeira.

— A gente tinha escritório num prédio comercial e observamos que, desde que mudamos para cá, há um ano, os clientes preferem se reunir aqui — conta a arquiteta Paula Paiva, uma das sócias.

O escritório verde da La Stampa, especializada em design de estampas, fica no terraço de um prédio na Lagoa. O projeto é do arquiteto Ricardo Campos. O quinto andar é o mais concorrido: revestido de tijolos e decorado com mesa, cadeiras e chaises da loja Mac, tem uma vista inspiradora e já reuniu até 60 profissionais numa convenção.

Na casa que a turma do 6D Estúdio, outro escritório de design, divide com o arquiteto Tiago Bernardes, no Jardim Botânico, há três opções de espaços abertos: um gramado na frente da propriedade, com direito até a uma pequena pracinha; uma varanda na lateral; e um jardim de inverno nos fundos. Segundo Tola Faria, especialista em marketing e sócio do estúdio, as “pensatas” por lá deram tão certo que hoje eles convidam palestrantes para abordar temas ligados à criação, debatendo com colegas e amigos. Tudo ao ar livre.

— Num ambiente assim, dá para você passar até cinco horas focado numa reunião sem se sentir cansado — defende Tola. — É tão produtivo que deveria ser adotado por profissionais de qualquer área.

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