Meu chefe agora sou eu (por Maggi Krause)

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Depoimento excelente da Maggi. Definiu muito bem os “prós” e “cons” do home-office, mostrou que não existe “benefício salarial” maior do que ter tempo para curtir os filhos, e que o auge da carreira (e um dos seus maiores desafios) é ser o chefe de si mesmo.

Boa leitura!

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E confesso a vocês, sou dura comigo. Estabeleço metas às vezes difíceis de cumprir, almejo a eficiência e me dedico bastante. Procuro palavras com zelo, me coloco no lugar do escritor, me imagino na cadeira do leitor… meu cérebro se exercita o tempo todo! Pena que eu não dê tanta atenção ao meu corpinho, que bem precisava de umas aulas de alongamento!

Mesmo transferindo o escritório para dentro de casa, continuo regida por agendas e de olho no relógio – que é para não perder o pé, nem o horário de buscar alguém na escola, levar para o ortodontista ou à aula de natação… A idéia, afinal, era ficar mais com os meninos ou seguir carreira solo? As duas alternativas são válidas e, verdade seja dita, a vida de equilibrista assim ganha tempero: é dentro da mesma casa que preciso provar que sou boa profissional e ao mesmo tempo, que sou uma mãe melhor e mais dedicada. Uf, que cobrança digna de chefe!

O fato é que tem cada vez mais gente trabalhando em casa e, como tudo na vida, essa realidade tem “pros & cons”, como diriam os americanos. Uma das grandes vantagens é deixar de enfrentar pelo menos 1h30 de trânsito caótico em Sampa para ir e voltar da empresa. Esse tempo pode ser aproveitado para uma caminhada matinal, um pulo no supermercado ou para horas extras na edição de textos. Aliás, trabalho mais horas em casa por um motivo simples motivo: não perco tempo em reuniões, em cafezinhos, em burocracia ou conversas telefônicas. Tudo é mais focado, mais trabalhoso, exige concentração e faz muito mais sentido (uf! que alívio tirar essa conclusão).

Mas, pelo menos no meu caso, não posso deixar os apelos normais da casa (armários por arrumar, coisas a consertar, problemas da empregada) invadirem o horário de trabalho, senão fica difícil entregar reportagens ou textos no prazo. Esses apelos eu ainda consigo controlar, ao contrário de meus filhos, pois são eles que ainda me controlam ao chegarem em casa. Largo tudo em função das demandas infantis, seja banho, lição, jantar, brincadeira, televisão ou histórias para dormir. Sou deles das 17h às 21h, quase todos os dias de semana; em outros a função começa até mais cedo. Pode parecer pouco – como não tenho babá, continuo mantendo a escola em período quase integral -, mas é bem mais do que antes, quando só pegava o finalzinho do dia deles, das 19h às 21h, se não capotavam antes!

Depois de meio ano nessa nova rotina, garanto que não penso em dar um passo pra trás. Mesmo faturando só metade do meu salário anterior, adoro poder escolher para quem trabalho e me dedicar a projetos variados e que fazem sentido para mim. Sinto que o ganho em convivência e cumplicidade com os meninos ultrapassou minhas expectativas, e que nada é por acaso. Eles estão menos carentes de atenção e mais tranqüilos e espero continuar a acompanhá-los de perto na infância (que mal começou) e na adolescência.

Não reclamo de precisar, muitas vezes, abrir o computador depois que eles dormem. Meu maior desafio não é falta de disciplina, nem solidão… Trabalho bem sozinha e tenho e-mail, internet e skype para me manter conectada com amigos e clientes. Programo no mínimo um almoço com amigas e ex-colegas por semana e aproveito reuniões fora para arejar um pouco, nem que seja pesquisando em livrarias, passeando para ter idéias (o tal ócio criativo!) ou tomando um sorvete. Meu maior desafio aqui em casa é saber a hora de parar e não deixar que o trabalho tome conta (hoje por exemplo, são 23h40 e ainda estou animada escrevendo esse texto). E a meta final, como sempre, é chegar a uma vida equilibrada! Dizem que as librianas – como eu – vivem buscando o equilíbrio, mas nunca o alcançam. Que coisa!

Mas meu chefe, persistente, diz para eu continuar tentando…

Maggi Krause foi editora por mais de 10 anos na Editora Abril e gerenciava uma equipe; agora que virou chefe de si mesma, gerencia sua própria vontade de trabalhar. É mãe de Tiago (6 anos) e André (3 anos).

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3 Comments

  • Marina

    Reply Reply 30 de agosto de 2008

    Maggi, seu depoimento é inspirador. Adorei! Imagino que cada vez mais teremos um número maior de mães que abrem mão de empregos “estáveis” ou melhor remunerados para poder escolher com quem e com o quê querem trabalhar. Além, é claro, de ter este ganho maior que é o de poder se dedicar mais à família e à si mesma. Parabéns pelo exemplo. Também adorei o texto!

  • Raphael Ramos

    Reply Reply 2 de março de 2009

    Parabéns!
    Qualidade de vida é nossa meta!

  • André

    Reply Reply 3 de março de 2009

    É isso aí Raphael!!!

    Abraço!!!

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