Mais dicas para uma mãe no home-office: entrevista com Dennise Guilhon

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O depoimento da Dennise Guilhon mostra o drama que muitas mães passam quando vêem que terão que optar entre a família e o trabalho. E mostra que é possível conciliar os dois lados com o esquema home-office. Acompanhe:

1. Qual foi o momento em que você percebeu que deveria sair da empresa em que trabalhava para começar a trabalhar de casa?
Eu e meu marido viajávamos muito a trabalho. Quando o João tinha sete meses fiz uma viagem por sete dias. No dia em que cheguei à minha cidade, meu marido havia viajado e deixado o João na creche pela manhã para que eu o buscasse à noite. O João entrava às 7h e saía às 19h. Eu saí do aeroporto direto para a creche com muita saudade. O João, quando me viu, parecia não me reconhecer. Não quis o meu colo, agarrou-se à cuidadora chorando, foi pra casa esperneando e nunca mais mamou por mais que eu tentasse. Amamentá-lo era mágico e perdi isso! Ele dormiu naquela noite de exaustão, após muito choro. Alguns dias depois, começou a ter febre emocional. Aí eu joguei a toalha. Não daria conta desse ritmo.

2. Os primeiros trabalhos/clientes que você conseguiu foram via antigos chefes e contatos?
Não. Logo que pedi minha demissão fui morar em uma cidade muito pequena em Minas Gerais, mas com empresas de grande porte. Tive que criar toda uma rede de relações nova. Minha estratégia foi mapear todas as possibilidades de prestação de serviços em minha área e propor parcerias. Preferia agendar reuniões na sede do cliente potencial para demonstrar como poderia prestar serviços ou para discutir algum ponto importante das atividades contratadas. Assim, eu fiquei mais próxima e evitei gastos com a montagem de uma estrutura. Demorou até o primeiro trabalho surgir de fato. Depois, ocorreram indicações e também percebi que tinha que agir pró-ativamente, oferecendo soluções que o cliente não tinha percebido. Algumas idéias ainda estão só no “seria interessante”. Quem sabe…

3. Você contou com o apoio da família para tomar a decisão de
trabalhar de casa?

Sim. Meu marido comprou a bandeira e nos planejamos durante bastante tempo para esse passo. Buscamos uma recolocação para ele de forma que a minha saída do mercado não afetasse tanto nosso orçamento doméstico. Foi um ano de maratona de entrevistas e testes. Também nos programamos com uma reserva financeira para o grande momento de pedir demissão e ter receitas reduzidas por bastante tempo. Como mudamos de cidade, aproveitamos para realizar o sonho de morar numa casa. Escolhemos um imóvel onde pudéssemos ter espaço para trabalho e filhos. Meu marido foi um grande incentivador.

4. Um dos grandes empecilhos para muitos que querem montar um home office e estão na dúvida é a possibilidade de passar a receber um salário menor ou mais oscilante. Aconteceu isso com você? Se sim, como resolveu?
Sim. Nos dois primeiros meses eu só me ocupei em me reorganizar mentalmente: me dei férias. Nos seis subsequentes, trabalhei pontualmente em projetos com remuneração muito baixa. Mas o meu foco era me tornar conhecida e entender como as coisas funcionavam. Hoje, trabalho em projetos com remuneração melhor que o meu último salário. Entretanto, existem variações, há meses em que fico mais ociosa e momentos em que piro. O que me ajudou muito foi me planejar e rever o orçamento familiar. Como o meu marido recebe um salário fixo, acordamos que as nossas despesas fixas são pagas por ele (aluguel, empregada, alimentação, escola, combustível, etc). O que é variável e desejos de consumo são pagas por mim de acordo com o que recebo e quando recebo (investimentos, viagens, um novo equipamento).

5. Qual é o segredo para manter o trabalho e a família em dia?
Conversar, conversar, conversar… Para poder estabelecer prioridades e ter coerência com as decisões tomadas. Se decidi diminuir o ritmo por causa do meu primeiro filho, não é justo passar todo final de semana sem brincar com ele ou sair com a família para dar conta de um prazo apertado. Tenho uma agenda flexível e isso é ótimo, não quer dizer que não tenho prazos, que não tenho metas, um plano, uma agenda a cumprir. Tenho que me adequar ao horário e ritmo de minhas crianças. Negocio com meus clientes encontros e prazos dentro desses limites. Algo que já descobri que não dá certo é fazer reunião de trabalho com a equipe de algum projeto no final de semana com o João e o Gabriel em casa. Como eles são lindos e risonhos, todo mundo perde o foco com as gracinhas que aprontam.

6. Como você avalia a sua vida antes e depois do home office?
Um home office ainda é muito novo para mim. A flexibilidade e a qualidade de vida que ganhei me agradam muito. Estou muito feliz em poder acompanhar o desenvolvimento dos meus filhos, não comer em restaurante industrial, receber minha vizinha pra almoçar de vez em quando, tomar um banho no meio do dia se faz calor… Hoje sinto que não tenho que escolher entre carreira e maternidade, mas ir administrando até que meus rebentos fiquem mais independentes. Se antes era tudo direcionado, numa relação formal de emprego, hoje tenho um mundo de opções. O meu desafio novo é administrar tanta liberdade.

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2 Comments

  • JOCELINO FERNANDO SBAIS

    Reply Reply 25 de dezembro de 2009

    como faço para trabalhar em casa e como funciona a empresa de vcs?

  • JOCELINO FERNANDO SBAIS

    Reply Reply 25 de dezembro de 2009

    gostaria de obter mais informações sobre a empresa e como faço para trabalhar em casa.

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