Fernanda home office

Empresária, mãe e nômade digital: Fernanda conta como é possível

Conhecemos a Fernanda por conta de uma entrevista sobre home office que demos para um cliente dela. Começamos a trocar uma ideia e ela comentou que estava de malas prontas para fazer uma volta ao mundo trabalhando como nômade digital. Incrível, não?

A Fernanda (Fernanda Nogas) é jornalista, tem 37 anos e é empresária. Ela tem uma agência de comunicação em São Paulo e conseguiu se estruturar para que o negócio fluísse à distância. E funciona direitinho, viu? Acompanhe agora esta entrevista exclusiva que ela deu para o Go Home onde conta tudo sobre como surgiu essa ideia, como faz para que este modelo de trabalho dê certo e, de quebra, ainda dá dicas de alguns lugares para trabalhar em Lisboa, onde está neste momento. Vai lá, se inspira:

– Em que momento surgiu a decisão de sair em viagem?

Surgiu em 2015. Minha empresa já operava na modalidade de home office por dois anos, quando uma mudança forçada de cidade fez me dar conta do óbvio: se eu podia trabalhar de lá, podia trabalhar de qualquer lugar. Foi o momento em que eu comecei a pesquisar e conhecer mais a fundo o nomadismo digital. E pensei: “Por que não?”. Comecei a viajar ainda em 2015, para testar este modo de trabalho (de viajar a trabalhar ao mesmo tempo), e acabei estabelecendo até um recorde pessoal: 12 cidades percorridas em apenas dois meses (de Manaus à Serra Gaúcha).

A partir daí, comecei a planejar uma viagem realmente grande, e decidi comprar um ticket de volta ao mundo, viajando por oito meses, levando o escritório na mochila, sendo nômade digital e morando um pouco em cada país do mundo. Meu roteiro começou em Madrid, passei por Barcelona e diversas cidades de Portugal e, neste exato momento estou em Lisboa. Daqui, tenho pela frente Londres (e mais 10 cidades do centro da Europa), então Grécia, Turquia, África do Sul, Singapura, Tailândia e Estados Unidos.

nomade digital

– Você acredita que o nomadismo digital seja algo pontual, como uma fase na vida de uma pessoa, ou pode ser encarado como um estilo de vida, algo mais permanente?

Não tenho dúvidas de que o futuro está no trabalho remoto. Já o nomadismo digital, a meu ver, tem mais relação com “ciclos”. Vai haver o momento em que o profissional remoto vai querer passar um tempo viajando, como vai haver o momento em que irá preferir se estabelecer em um lugar fixo (seja o país de origem ou não). Então, passado um período, certamente vai querer voltar para a estrada.

Além disso, vários fatores interferem no período de nomadismo: se você tem ou não um relacionamento fixo, se seu companheiro também pode ser nômade, se tem filhos e de qual idade. E, vale lembrar, nomadismo digital não é tirar um sabático ou férias: provavelmente vai chegar o momento em que vai fazer muita falta passar mais tempo com a família e amigos.

– Qual é a sua ideia ou o seu plano com esta experiência?

Como eu decidi viajar em um momento em que estava sem residência fixa, o primeiro objetivo foi aproveitar que não tenho raízes e sair para conhecer o mundo. Também acredito que uma experiência deste tipo transforma o ser humano e o profissional que você é, não apenas por conhecer culturas diferentes, mas porque você se torna menos materialista, mais flexível, mais apto a vencer adversidades (teve um quarto em que eu fiquei na Espanha, que tinha UM plug de tomada, no teto, pra ligar a tevê. E só. E é preciso dar um jeito de trabalhar, mesmo nesta condição). Por isso, o plano de viagem também é viver esta transformação.

nomade home office

– Que dicas passaria para quem está pensando em seguir este caminho?

Primeiro, tenha uma experiência prévia em home office. Trabalhar remoto exige disciplina, independência e foco. Não é trabalhar de pijamas ou com a tevê ligada. Não é parar toda hora para ver o que tem de novidade nas redes sociais. Não é bater aquele papo com o colega no intervalo, porque em casa em geral você estará sozinho. É preciso primeiro descobrir se esta modalidade serve para você.

Depois, faça viagens pequenas enquanto trabalha, teste se você consegue ser produtivo mesmo tendo uma cidade linda e nova esperando para fora da sua janela, porque trabalhar viajando é “trabalho”, não turismo.

Planeje bem sua viagem: verifique se os locais para onde vai dispõem de boa internet, estrutura de trabalho (mesa e cadeira confortáveis, cafés que permitem ficar trabalhando ou espaços de coworking).

Faça as contas de quanto pretende gastar e tenha pelo menos o mesmo tanto guardado por garantia.

E por último: faça uma mala leve. Você vai viajar por um longo período, já estará carregando uma mochila com laptop e gadgets, então faça uma mala de viagem só com aquilo que for realmente necessário. Minha mala, por exemplo, tem 60x40cm. E dentro dela, acredite, tem o suficiente para eu passar oito meses.

– Como faz com o trabalho? Dá para se virar apenas com computador e internet? Você toca sua empresa à distância?

Sim, a Commtexto, minha agência de comunicação, existe há três anos. Desde o início optei pelo formato home office (embora a empresa tenha um endereço comercial, em um espaço de coworking). E desde o começo, tudo o que precisei foi de um laptop, uma linha telefônica voip (que faz e recebe ligações em qualquer parte do mundo) e internet.

Costumo brincar que este é o melhor modelo de negócio que existe, pois o investimento inicial é baixíssimo e os custos mensais, idem. Além disso, traz a flexibilidade que me permite trabalhar de qualquer lugar, não apenas de casa, mas de um café, de outra cidade ou, como agora, de qualquer país do mundo. Claro, é preciso que seus clientes concordem em ter um fornecedor nômade e isto só acontece (em especial com clientes mais tradicionais) quando há uma forte relação de confiança.

Hoje, toco minha empresa totalmente à distância e, tanto para os clientes quanto para os parceiros, o resultado é até melhor do que um fornecedor que está próximo fisicamente.

coworking

– O que você queria que tivessem te dito antes de iniciar a jornada?

O quanto é difícil lidar com o fuso-horário, rs. Sem dúvida, é um dos grandes desafios, pois seu cliente precisa de você disponível dentro do horário comercial dele, independente de que horas são no país onde você está. Hoje, estou quatro horas na frente do Brasil, mas ao fim da viagem, na Tailândia, vamos ter dez horas de diferença. E será preciso conciliar isso sem prejudicar o trabalho.

Outra questão é que, ser home office no seu próprio escritório, com toda a infra que você colocou lá, é fácil. Na estrada, você conta com a estrutura dos quartos que alugar, eventualmente de hostels, ou de cafés e espaços de coworking. Por isso, vai passar muito mais tempo nestes lugares do que em casa.

Lisboa, por exemplo, tem excelentes lugares para trabalhar. Os meus preferidos são a Padaria Portuguesa (uma rede grande, com lojas em todos os cantos, boa internet e plugs de tomada, além de pasteis de Belém deliciosos) e dois espaços de coworking: o Cowork Central, no Cais do Sodré, e o Main Hub, mais no bairro, ao lado da estação de metrô do Cabo Ruivo. Mas considere que trabalhar desses lugares não vai mais ser exceção, vai ser regra, e considere os custos que isso vai proporcionar.

nomade digital

– E como era no Brasil, você já trabalhava em home office?

Sim, na verdade tenho quase dez anos de experiência com o home office. Em 2006, eu fui funcionária de uma agência de comunicação em que todos os funcionários (incluindo os donos) eram home office. Embora depois da agência eu tenha voltado a trabalhar dentro de escritório por um período, estes primeiros anos trabalhando funcionária remota me deram o conhecimento necessário para que, em 2013, eu pudesse abrir minha própria empresa neste mesmo formato.

– Mais alguma curiosidade ou algo que queira acrescentar?

Acho que, para uma jornada deste tipo, o apoio das pessoas importantes na sua vida é fundamental. Eu tinha recém-terminado um relacionamento de oito anos quando decidi viajar. Felizmente, meu ex-companheiro se tornou um dos maiores incentivadores e uma das maiores amizades agora que estou longe. Meus amigos mais próximos também têm participado de todos os momentos, os bons e os difíceis. E tenho uma filha de 20 anos, também apaixonada por viajar e que foi a primeira a ser convidada para percorrer esta jornada comigo – e recusou. Como mãe, meu coração fica meio “atropelado” ao pensar que vou passar oito meses longe da minha filha, mas foi ela a primeira a dizer: “Vai mãe, segue teus planos, aproveita a tua viagem, este é o “teu” momento”.

nomadismo digital

– E uma curiosidade, leitores do Go Home, a Fernanda também é escritora. E ela resolveu aproveitar a viagem para se dedicar mais ao seu novo livro. Conte mais, Fernanda:

Na verdade, como não sabia o que me esperava nesta experiência de trabalhar viajando por um longo período, optei por me concentrar em alguns trabalhos específicos e com boa remuneração. Assim, conseguiria reservar tempo para outro plano de viagem que é trabalhar no meu livro (ficção, nada relacionado à viagem). Tive uma experiência muito bacana em 2014, com um livro de contos sendo finalista de um dos maiores concursos literários do país. Embora a publicação fosse só para o primeiro lugar, me deu o feedback que eu precisava sobre a qualidade da minha literatura. Desde então, tento encontrar tempo para trabalhar em um novo livro, mas não estava conseguindo. Com esta viagem, me programei para fazê-lo. Por isso, o restante do tempo é dedicado apenas aos contratos que já trouxe do Brasil, sem colocar energia em outras modalidades.

Agradecemos à Fernanda por este depoimento incrível e que certamente servirá de inspiração para muitos leitores do Go Home que estão planejando uma carreira que inclui o nomadismo digital. Se você quiser saber mais sobre a viagem e as dicas da Fer, acesse o blog dela, o Escritório na Mochila 😉

Boa sorte, Fernanda, nesta incrível jornada e muito sucesso para você!

E você, já pensou em viajar e trabalhar ao mesmo tempo? Conta pra gente!

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