home office diplomata

Home office é opção para diplowife

Quando você ouve a palavra “diplomata”, já pensa em viagens, uma vida glamourosa, uma casa com empregados à disposição, não é mesmo? Pois bem, esta é uma visão distorcida, fora da realidade de quem troca de casa com frequência para representar o nosso país mundo afora. E a esposa do diplomata, então? Passa o dia relaxando? Que nada! Nessa entrevista com a Elisa Pinchemel você vai ver como é a rotina de uma esposa de diplomata e profissional que trabalha em casa – não importa o país – e que enfrenta problemas inerentes à carreira de qualquer empreendedor, porém com algumas peculiaridades.

A Elisa criou em 2012 o blog Diplowife, Diplo Life para reunir esta comunidade de esposas de diplomatas que enfrentam as mesmas situações que ela. Aliás, a Elisa entrou em contato com o GoHome para fazer uma entrevista comigo, Marina, com dicas para trabalhar em casa, algo muito comum entre as diplowifes. E aqui um parênteses: tenho visto um aumento significativo de esposas e mães que buscam o trabalho em home office como fonte de renda e realização profissional sem ter que abrir mão do contato com a família e a casa. É o seu caso? Escreva nos comentários aqui no final do post.

blog diplowife home office

Pois bem, voltando à Elisa. Ela é uma profissional gabaritada que não se conformou com as limitações impostas pelas diferenças culturais. E não se acomodou. Elisa é escritora e advogada internacionalista, além de se dedicar a um doutorado em Ciências Sociais e a pesquisas em Relações Internacionais. O blog começou como um hobby, para compartilhar experiências, angústias e informações sobre a vida de diplowife. Com o tempo, Elisa se apaixonou pela profissão de blogueira, que considera “muito gratificante e muito enriquecedora do ponto de vista pessoal”.

Acompanhe agora a entrevista exclusiva:

– Há quanto tempo você é casada com um diplomata e o que isso mudou na sua vida?

Durante alguns anos, prestei concurso para ser diplomata. Sempre me imaginei como funcionária pública, ou seja, em uma carreira financeiramente estável. Quando nos casamos, em 2012, eu ainda não havia sido aprovada em concurso público e estava iniciando o doutorado. Só fui perceber a inversão de papeis na minha vida quando decidi que não iria mais prestar concurso para diplomacia e que atuaria profissionalmente em outras áreas.

Os cônjuges e companheiros de diplomatas, assistentes de chancelaria e oficiais de chancelaria somente têm possibilidade de trabalhar em alguns dos países em que seu familiar esteja servindo. Além dessa limitação, ingressar em um mercado de trabalho desconhecido, no qual se fala outro idioma é um grande desafio, que muitas vezes inviabiliza a colocação profissional do cônjuge. Imagine só trabalhar por dois anos em grego, depois mais dois ou três anos em árabe, em seguida, em japonês, russo, mandarim, hindu, e por aí vai. Existem mais duas complicações que limitam a empregabilidade: em um novo país, você ainda não tem networking e muitas empresas ou organizações não teriam interesse em contratar um profissional com “prazo de validade” – que irá se mudar novamente dentro de alguns anos – mesmo com as qualificações de quem fala vários idiomas e já viveu/trabalhou/estudou em diferentes países.

Como o servidor tem um limite de tempo em cada posto, a mudança é uma constante na vida da família e é preciso se adaptar a essa realidade e buscar uma carreira que comporte ser colocada na mala de tempos em tempos.

Essa futura constante mobilidade transformou radicalmente a minha vida e a forma como penso minha carreira profissional no futuro. Foi então, que comecei a pesquisar sobre a possibilidade de adotar o home office e trabalhar fora dos padrões aos quais estava acostumada.

– É possível seguir uma carreira e ter um trabalho fora dos padrões? Como você vê isso?

Sim, é possível. Certamente não é fácil, mas adaptação é a palavra chave para quem busca uma profissão fora dos moldes tradicionais. As opções são bem diversificadas e é necessário boa formação, criatividade, empreendedorismo e resiliência para conseguir administrar uma carreira nessas condições.

Tenho ponderado sobre como me organizarei profissionalmente em uma futura mudança, já que em alguns países, teremos o desafio extra de não ter apoio de empregado doméstico ou de babá, haja vista o alto custo do serviço, a escassez de mercado ou até mesmo questão de segurança. Então, ao conciliar carreira, atividades domésticas e obrigações parentais, creio que bom humor, imaginação e paciência também serão necessários.

– Conte um pouco sobre a sua rotina e como se organiza para dar conta do trabalho e da casa.

Tenho uma rotina de trabalho que consegue conciliar de forma equilibrada as atividades pessoais, profissionais e os cuidados com a casa. Temos uma diarista, que ajuda com a faxina e passa as roupas, mas eu cozinho as refeições, lavo a roupa e organizo a casa. Para dar conta de tudo, determinei horários específicos para me dedicar ao blog, às leituras do doutorado, à organização e redação de livros e artigos, a questões relativas à advocacia e à casa. Isso tudo, enquanto meu marido está no trabalho. Assim, quando ele está em casa, conseguimos nos dedicar aos nossos hobbies conjuntos e individuais, o que é importante para manter uma vida feliz e saudável.

Todas as minhas atividades são realizadas em casa, então, tenho um cantinho no qual coloquei o meu computador e o meu material de pesquisa. É um espaço que posso chamar de home office, adaptado às minhas necessidades: tem uma cestinha com frutas, jarra de água gelada, alguns acessórios para escritório, telefone e condicionador de ar.

– Você acredita que o home office é a melhor opção para o cônjuge do diplomata? Que carreiras poderiam se beneficiar desta modalidade?

O home office é uma boa opção, pois você pode trabalhar da sua própria casa usando o seu idioma, mesmo estando distante do Brasil. Basta ter um espaço físico e conexão com a internet para poder realizar seu trabalho. Professores de idioma, tutores ou professores de cursos a distancia, revisores de texto, tradutores, terapeutas, escritores, coaches para concursos e carreiras, designers, blogueiros, entre tantas outras profissões, podem realizar suas atividades online e se beneficiar das possibilidades que a tecnologia oferece, aliada à comodidade de trabalhar na sua casa.

– Mais alguma observação ou curiosidade?

Gostaria de agradecer ao Go Home pela oportunidade de falar um pouco sobre de uma esposa de diplomata e sobre os desafios que eu e muitas outras enfrentamos em nossas vidas profissionais. Existe um mito de que as esposas de diplomata são mulheres fúteis e vazias, que vivem uma vida chique e glamorosa. Na realidade, não é bem assim. Todas as esposas de diplomata que conheço têm ao menos o nível superior de ensino (muitas têm mestrado e doutorado) e uma profissão, seja ela no serviço público, na iniciativa privada ou no lar. Claro que existe o lado positivo de morar no exterior, aprender idiomas e conhecer diferentes culturas, mas atrelado a isso, vem um esforço de se manter ativa profissionalmente e de, ao mesmo tempo, se adaptar a uma nova cidade, um novo país, uma nova cultura, uma nova língua, uma nova culinária, uma nova sociedade – com novas regras e novo modo de pensar-, tudo isso, buscando manter a família unida (a que ficou no Brasil e a que está no exterior), manter suas raízes brasileiras vivas e representar bem o nosso país no exterior.

Gostou da entrevista? Então curta! E deixe o seu comentário aqui embaixo.

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