Educação telefônica (colaboração: Márcia Luz)

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A Márcia Luz nos enviou este texto muito útil sobre etiqueta em telefonia. Impossível não se identificar com as situações… Achamos tão bacana e bem escrito que resolvemos publicar! Divirtam-se!
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Ah, as maravilhas do mundo moderno. Comunicar-se com quem você quiser de qualquer lugar para qualquer lugar, a qualquer hora. E-mail, telefone, celular e afins. Celular com imagem, mensagem, vibrador, só falta vir com analista embutido. Bom, né? Pois eu não acho tão maravilhoso. Eu, na verdade, odeio telefone. Antes que vocês achem que eu sou a campeã da ranzinzice, corrijo-me: eu não odeio telefone, mas odeio o novo tipo de falta de educação que surgiu junto com o fim das barreiras das comunicações.

O fato de alguém ter um celular e divulgado o seu número não significa que essa pessoa abriu mão ao direito de ter privacidade. Mas parece que isso não passa pela cabeça de muita gente, em especial nas relações de trabalho. E o pior é que a praga invadiu também o mundo dos telefones fixos: pessoas ligando a qualquer hora do dia ou da noite, nos finais de semana, para falar de trabalho. O problema é ainda mais grave quando se trabalha em casa, que é o meu caso. Então, vamos aos estudos de caso.

Celular é celular
O telefone celular é um aparelho que permite a comunicação com pessoas que não estão em suas casas ou no escritório. Elas estão na rua, dirigindo, no banco, numa reunião ou qualquer coisa do gênero. É muito improvável que elas estejam sentadas em um banco de praça vendo o tempo passar. Então, quando o seu interlocutor atende o celular, não custa nada perguntar: está ocupado? Pode falar agora? Mesmo que a pessoa diga que pode falar, seja breve e objetivo. Deixe para divagar ou fofocar quando a pessoa estiver em casa, no telefone fixo.

Urgências
Custa caro ligar para celulares. Então, porque as pessoas jogam fora seu dinheiro para falar de assuntos absolutamente irrelevantes? Não dava pra esperar até o colega chegar em casa ou no escritório pra pedir opinião sobre o presente de aniversário da sua cunhada? Se fossem contabilizados os reais gastos no país em ligações inúteis para celulares, não precisava existir o Bolsa-família.

Horários
Outro problema advindo das facilidades do celular é a sensação de que foi ultrapassada a barreira do horário. São nove da noite, lembrei de um assunto importante que preciso tratar com meu funcionário e acabou o expediente, e agora? Uêba, ele tem celular! Não importa se o telefonado em questão tem família, outras atividades ou simplesmente o descanso como opção para depois do trabalho. Se o assunto não for absolutamente urgente, ninguém vai morrer se esperar até o dia seguinte no horário comercial. Isso vale também para horário de almoço, ele existe para que as pessoas se alimentem, não para que elas resolvam assuntos de trabalho.

Não posso falar agora
Se a pessoa não atende o celular, tente de novo no máximo uma ou duas vezes e deixe recado na secretária do aparelho. Mesmo que você não deixe, o seu número estará gravado no aparelho, e quando a vítima puder – ou quiser – ela vai retornar. Nada mais irritante do que alguém ligando vinte e oito vezes para o seu celular quando você não pode atender. Neurose pura.

Estatística informal
Parece incrível, mais 90% das ligações que você recebe em celular não são urgentes, nem são notícias sobre um possível ganho na mega-sena, uma herança ou um chamado para um trabalho que vai te deixar bem de vida por vários meses. Normalmente, são pura banalidade, coisas que não precisavam ser ditas ou poderiam ficar para depois. Eu fiz o teste do abacatão: atendi gentilmente todos os telefonemas que recebi durante uma semana inteira, sem fazer nenhum tipo de seleção. Entre operadores de telemarketing, conhecidos pedindo favores, parentes ligando pra fofocar e outros assuntos, o fato é que perdi o número suficiente de horas no telefone para atrasar um terço das tarefas profissionais que eu tinha a cumprir naquela semana.

Telefone fixo também tem regras
É óbvio e repisado, mas não custa falar. Depois do advento do celular, o telefone fixo parece que virou um porto seguro onde as ligações são gratuitas e você pode falar o tempo que quiser. Certo? Errado. Mesmo que se esteja em telefone fixo, seja breve. No trabalho, principalmente. Deixe as fofocas para quando se encontrar pessoalmente com a pessoa.

Não ligue pra residência de colegas de trabalho, a menos que sejam muito íntimos e o assunto não seja profissional. Se ele trabalha em casa, lembre que depois das seis ou sete da noite o telefone já virou “residencial”. Se o seu amigo ou conhecido está casado, e principalmente tem filhos, veja o fim de semana dele como sagrado. Deixe ele curtir o cônjuge e a prole.
Claro que tudo isso vale para conhecidos e colegas de trabalho, porque os amigos de verdade jamais precisam de regras, eles estão carecas de saber o que o amigo ama ou odeia.

Última parada: secretária eletrônica
Do telefone fixo, claro. Compreenda: ela não é uma pessoa. Não adianta falar tudo o que você queria dizer se a pessoa estivesse em casa, ela não vai te responder. Compreenda também: se a secretária estiver acionada é porque não tem ninguém em casa, ou se tem não quer atender ou não está ouvindo o telefone. Não adianta ficar berrando, xingando, ligando várias vezes seguidas e repetindo? “Cê tá ai? Me ligueeeee.” Isso é o supra-supra-sumo da falta de tato.

Do outro lado da linha, se você precisa deixar um recado na secretária de alguém, não-existe-nada-mais-insuportável do que aquelas gravações longas, com musiquinhas, com poesia, com filosofias de vida e etc. Você está morrendo de pressa, precisa deixar um recado básico, e fica hooooras ouvindo a secretária eletrônica declamar os Lusíadas, para finalmente chegar ao “deixe seu recado”. Não passe atestado de mala, vá de básico. Pode ser criativo, mas seja rápido. Respeite quem está do outro lado.

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9 Comments

  • Chico

    Reply Reply 6 de outubro de 2007

    Queria poder enviar isso para toods aqueles que me ligam todos os dias.. no cel, em casa e no skype…

    ..oops… mas aí eu combateria a falta de educação ao telefone sem nada educado via e-mail 🙂

    Falando sério agora.. Quem usa home office precisa ter uma linha dedicada ao serviço.. e tratá-la como tal.

    Abraço,

  • André Brik

    Reply Reply 7 de outubro de 2007

    Olá Chico.

    Essa falta de privacidade e de divisão profissional/pessoal está ficando cada vez pior. Não estar disponível 24/7 está sendo (para muita gente) sinônimo de incompetência. Quando na verdade, esse desligamento do trabalho é essencial para a produtividade. Além disso, não estar disponível fora do horário de trabalho demonstra que você “confia no seu taco” e não se importa com possíveis impressões negativas.

    Com certeza, no home office a linha telefônica dedicada é essencial… E é importante também cuidar com os sons externos: cachorros latindo, panela de pressão e crianças gritando…

    Obrigado pela sua colaboração!

    Abraço,
    ABrik

  • Andréa

    Reply Reply 11 de outubro de 2007

    ADOREI a matéria!
    Sou advogada e passei a trabalhar em casa por causa do desgaste que estava causando aos meus filhos pequeninos o transtorno de passar o dia inteiro na escola.
    Uma vez li a seguinte frase:
    “o seu telefone existe para sua conveniência e não para a de quem está te telefonando, por isso não interrompa os momentos importantes de sua vida para atender telefone”. Essa frase foi escrita bem antes do advento dos celulares…
    Adotei esta regra em minha vida. Só atendo o telefone, especialmente celular, se puder.

    Se a notícia for pra avisar o falecimento de alguém, não posso fazer mais nada.
    Qq outra coisa, pode esperar mais um pouco…

    Sucesso a todos no desafio de fazer as boas seleções durante a vida… Até mesmo, a quem atender e quando, ao telefone!

    Andréa

  • André Brik

    Reply Reply 11 de outubro de 2007

    Oi Andréa, gostei da tática!

    Abraço e seja sempre bem-vinda!

    ABrik

  • Juliana Juk

    Reply Reply 26 de outubro de 2007

    A todas as magnifícas dicas da Márcia queria colocar minha percepção de quanto ansiosos ficamos quanto ao contato das pessoas. Nos cercamos de formas de sermos encontrados (fixo, móvel, MSN, e-mail…). E não nos desligamos deles! Quem no meio do cinema não deu uma olhadinha no celular que ficou no silencioso, ou acessou seus e-mails do trabalho no 10º dia de férias?! Estamos carentes de sermos requisitados. Mas não podemos esquecer de que precisamos de momentos só nossos. Como a advogada Andréia sabiamente resolveu fazer.
    abç
    Juliana

  • André Brik

    Reply Reply 29 de outubro de 2007

    Oi Juliana. Concordo que isso é uma ansiedade que deve ser gerenciada. E o fato de não estarmos disponíveis 24h por dia pode até nos valorizar na perspectiva do cliente.

    ABraço e obrigado!

  • Carlos

    Reply Reply 11 de fevereiro de 2008

    Nossa, fale isso para o meu chefe, ele me liga na hora do meu intervalo, do meu almoço. E quando ele eu não atendo o telefone, ele liga para alguem que ele sabe que está comigo. Até nas minha férias eu tive que resolver um probleminha do meu setor.

  • André Brik

    Reply Reply 12 de fevereiro de 2008

    Olá Carlos. Ligação do chefe nas férias é o fim. Depois ainda dizem que o problema do home office é a separação entre vida profissional e pessoal… As empresas são muito piores!

    Go Home!!!

    Abraço!

  • Affonso

    Reply Reply 3 de dezembro de 2008

    ::

    Já li por aqui a importante dica de ter uma linha para a HOME e uma linha para o OFFICE.

    E quando ele eu não atendo o telefone, ele liga para alguem que ele sabe que está comigo.
    Isso foi cômico e ao mesmo tempo triste!
    Amigo, GO HOME! 😉

    Abraço!

    ::

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