Esqueça tudo o que você sabe sobre trabalho

Pense em 2025. Parece longe mas não é, dez anos passam super rápido. Já imaginou como vai estar o seu trabalho no futuro? Será que vai ter trabalho? Uma coisa é certa: a tecnologia vai continuar revolucionando o mundo, desde o comércio, as relações humanas, o ensino, a saúde. E o trabalho, claro. Querendo ou não, surgirão máquinas e sistemas de automação para substituir o trabalho do homem. Ao mesmo tempo, surgirão novas possibilidades de trabalho e de carreira. O negócio é ficar atento aos sinais. Confira algumas tendências que em breve estarão batendo à porta do seu escritório (se é que ainda vai existir escritório):

Regra antiga: você tem que se deslocar até o trabalho todos os dias
Regra nova: o trabalho acontece onde você estiver, em qualquer lugar do mundo

No metrô de Nova York não existe mais hora do rush. Os espaços de coworking crescem em um ritmo alucinante e o home office se consolida como o trabalho do futuro. A empresa Automattic (detentora do WordPress), por exemplo, tem equipe 100% remota, com profissionais espalhados pelo mundo todo trabalhando de seus home offices.

Leia a última frase

Leia a última frase

Não há dúvida de que a tecnologia é um elemento facilitador do work anywhere. Porém, a tecnologia sozinha não faz nada. É preciso o fator humano para criar um novo movimento. É ele que prevalece. As pessoas estão usando a tecnologia para finalmente trabalhar do seu jeito, viver a vida de acordo com as suas regras, podendo escolher trabalhar de onde se sentem mais confortáveis.

Por isso que muita gente tem aderido ao trabalho portátil, o trabalho que você leva consigo. Afinal, sua principal ferramenta é de natureza intelectual. As demais, como computador e internet, também podem ser carregadas para qualquer lugar. Então, o mundo está ao seu alcance. Você não precisa mais ficar preso à sua cidade trabalhando. Pode perfeitamente passar dois meses na Califórnia, depois emendar um passeio (com trabalho) pelo Canadá, e por aí vai. Ou pelo Brasil. Ou então, pode trabalhar três dias na sua casa e quatro na praia (ou no campo). Essa é a nossa filosofia e de muitos home officers e nômades digitais (e colocá-la em prática não é nem um pouco difícil).

Nós levamos o trabalho junto quando tiramos férias ou nos finais de semana prolongados. Não adianta, quem é empreendedor tem que ficar de olho no seu negócio. Você até delega algumas funções, mas sempre vai precisar tomar decisões importantes e ficar conectado. Então, aprenda a tirar vantagem disso. Uma vantagem instantânea de quem trabalha em casa, por exemplo, é “matar” o dia mais chato da semana: a segunda-feira. É melhor adiantar o trabalho no domingo – quando o telefone não toca e o trabalho rende muito – e folgar na segunda. Não tinha pensado nisso? Mais uma ideia para revisar.

Regra antiga: o trabalho é 9-to-5
Regra nova: você está online 24/7

Os mesmos meios usados para o lazer e o contato pessoal são usados para o trabalho. Fica cada vez mais difícil distinguir a fronteira entre vida pessoal e profissional. O lado bom disso é que hoje as chefias/clientes se importam apenas com o trabalho bem feito e entregue no prazo e não mais em saber exatamente quando ou onde ele foi feito (pelo menos as chefias mais modernas). O lado ruim é que você fica o tempo todo online.

Uma pesquisa feita em 2013 pela American Psychological Association mostrou o seguinte:
– mais da metade dos entrevistados disse que checa as mensagens de trabalho pelo menos uma vez por dia nos finais de semana
– praticamente o mesmo número de entrevistados disse que também faz isso antes ou depois do seu dia de trabalho (e também quando está doente, de folga)
– 44% checam as mensagens de trabalho durante as férias

Só vou dar uma olhadinha...

Só vou dar uma olhadinha…

Em outra pesquisa, também de 2013, realizada pela American Time Survey, foi descoberto o seguinte:
– 34% dos entrevistados empregados disseram que trabalham pelo menos durante um dia no final de semana, toda semana
– este número sobre para 43% dos empreendedores/autônomos

Isso sem falar que as horas de sono estão diminuindo. Atualmente, as pessoas dormem aproximadamente seis horas e meia por noite, enquanto a geração anterior dormia oito horas. No início do século 20, dormiam dez horas. Some a isso um agravante: o aumento no número de pessoas que acordam à noite para checar as mensagens de trabalho. Não custa lembrar que depende de nós estabelecer este limite.

Regra antiga: você tem um emprego em período integral com benefícios
Regra nova: você vai trabalhar de job em job, de projeto em projeto

Só nos Estados Unidos o número de profissionais freelancers representa 34% de toda a força de trabalho, totalizando 53 milhões de pessoas (dados do Elance-oDesk). Por isso dizem que hoje em dia o mais educado para perguntar a alguém não é “onde você trabalha?” e sim “no que você está trabalhando agora?”.

Os jobs, ou gigs, são a nova unidade de trabalho. Porém, isso não é sinônimo de trabalho fácil ou tranquilo. Metade dos freelancers sente-se estressado e espera encontrar um trabalho full-time. A outra metade, no entanto, sente-se sortuda e emancipada (dados norte-americanos). Pois é, os freelancers não são todos iguais. Uma pesquisa do Freelancers Union descobriu que entre eles existem os prestadores de serviço, os moonlighters (que geralmente trabalham à noite, complementando o trabalho diurno), trabalhadores diversos, trabalhadores temporários e freelancers donos do próprio negócio.

Trabalho freelancer crescendo

Trabalho freelancer crescendo

Esta é uma tendência que livra qualquer um do tédio. Trabalhar com diferentes projetos e diferentes equipes vai fazer de você um profissional muito melhor e mais satisfeito. Você vai aprender muito, sem dúvida. Claro que os desafios também vão aparecer e você vai ter que aprender a lidar com a instabilidade deste estilo de trabalho, com diferentes personalidades na equipe e com algumas inseguranças. Por outro lado, vai conseguir finalmente trabalhar no horário em que rende mais, vai poder escolher os trabalhos e ainda fazer novas amizades.

Regra antiga: o segredo para preservar vida pessoal e trabalho está em separá-los em duas esferas distintas
Regra nova: pra bem ou pra mal, a linha que separa vida e trabalho está cada vez mais apagada

Por mais que as empresas busquem incessantemente o equilíbrio vida-trabalho, o mundo contemporâneo prova que é muito difícil se adaptar a este panorama. Não tem jeito, tentamos estabelecer barreiras, mas a realidade é outra. Os avanços tecnológicos nos impedem de preservar estas duas esferas como duas entidades independentes. Veja o caso do Airbnb e do Uber, plataformas que permitem a monetização de recursos pouco aproveitados. Através delas, você pode otimizar o uso da sua casa ou do seu carro e de repente se tornar um senhorio ou motorista nas horas vagas. Vida pessoal? Vida profissional? Tá tudo junto e misturado. Hoje, ao invés de você passar seu tempo livre com os amigos, acaba usando esse tempo pra fazer networking. Os updates das redes sociais tornaram-se uma extensão do seu currículo, mais uma maneira de você se divulgar.

Ooooooommm

Ooooooommm

Regra antiga: você trabalha pelo dinheiro, para sustentar você e a sua família
Regra nova: você trabalha por uma paixão, um movimento ou uma causa – você tem que amar o que faz

Nunca diga que você “apenas precisa de um trabalho”, este é o “mantra não-oficial do nosso tempo”, disse Miya Tokemitsu em seu artigo Do what you love. Hoje, os empregadores buscam atrair os colaboradores através de uma nova construção de marca, que envolve movimentos e causas, qualquer coisa menos “uma velha e chata empresa que faz algo”.

O problema com o “do what you love” é que ele leva não à salvação, mas à desvalorização do trabalho como o conhecemos. O seu grande feito é fazer com que o trabalhador acredite que o trabalho atende à sua busca pessoal e não ao mercado. Ao invés de gerar uma vida boa, o trabalho a engole completamente.

“Auto-realização não é necessariamente algo que a gente queira, mas algo que nos é exigido”, diz Carl Cederström, da Business School de Estocolmo. Ele alega que quando se está no negócio de persuasão – que nos Estados Unidos corresponde a 30% do PIB – “não nos surpreende saber que temos que começar persuadindo nós mesmos sobre a importância crucial do que estamos fazendo”.

Já chego lá!

Já chego lá!

Eu sinceramente acho que as pessoas não precisam amar de paixão o que fazem, mas pelo menos têm que gostar. Claro que se você amar o que faz vai ser ótimo, mas o ponto crucial aqui é que trabalho é trabalho e sempre vão ter umas partes chatas para fazer. O que não dá é pra odiar o trabalho, né? Aí tem que mudar mesmo. É importante saber que hoje você não precisa ter apenas uma carreira para a vida toda. Pode ter quatro, cinco, quantas quiser. O mundo sempre vai ter trabalho para ser feito, coisas para serem criadas. É só uma questão de se conhecer, saber o que quer fazer e tentar. Advogada que virou chef? Médico que é empresário? Claro! Sempre dá para achar a sua vocação, não importa a sua formação. Repense isso também.

Este texto foi adaptado do Fast Company pelo Go Home.

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