5 motivos porque os dinamarqueses são mais felizes no trabalho

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O povo dinamarquês foi eleito recentemente o mais feliz do mundo. Segundo pesquisa realizada pela Gallup, parece que eles são felizes não apenas na vida pessoal, mas na profissão também. Enquanto a maioria dos americanos odeia seus empregos – e estão cada vez menos engajados e motivados – os dinamarqueses buscam o arbejdsglæde, que significa felicidade no trabalho. É possível? Confira os pontos levantados pela FastCompany sobre o assunto no texto de Alexander Kjerulf:

1. Um expediente decente.

Um americano foi trabalhar em uma empresa dinamarquesa e quis fazer bonito: trabalhou de 60 a 70 horas/semana. Depois de um mês, seu gerente o chamou para uma conversa: “por que você trabalha tanto? O que está acontecendo de errado? Você tem problemas para delegar? O que podemos fazer para resolver isso?”. Alguns não-dinamarqueses devem ficar pensando se os dinamarqueses sequer trabalham.

Não só os dinamarqueses tendem a terminar o expediente em um horário decente, como tiram de cinco a seis semanas de férias por ano, vários feriados nacionais e cerca de um ano de licença maternidade/paternidade. Enquanto o americano trabalha cerca de 1.790 horas por ano, o dinamarquês trabalha 1.540, de acordo com dados da OECD (Organization for Economic Cooperation and Development). Os dinamarqueses também contam com mais horas de lazer que qualquer outro trabalhador da OECD e a relação entre “lazer suficiente” e “felicidade” é bem clara na pesquisa.

A diferença é cultural, já que muitas empresas americanas acreditam que trabalhar em excesso significa comprometimento. O erro está em achar que quanto mais horas você trabalhar, mais trabalho terá realizado. Isso é chamado de “Culto ao Overwork”. Por outro lado, empresas dinamarquesas reconhecem que o empregado também tem uma vida além do trabalho e que trabalhar 80 horas por semana é ruim tanto para a empresa quanto para o funcionário.

2. Low Power Distance

Nos EUA, se o chefe dá uma ordem, é bem provável que o funcionário vá fazer aquilo que lhe foi pedido. Na Dinamarca, poucas ordens diretas são dadas e os funcionários estão mais propensos a encará-las como uma sugestão. O sociólogo holandês Geert Hofstede quantificou a business culture em mais de 100 países em diversos parâmetros e um deles era “power distance”. Um elevado power distance significa que os chefes reinam e cada palavra dita por eles é uma ordem. Escritórios americanos têm um power distance de 40 enquanto os dinamarqueses tem um score de 18 (o menor do mundo).

Isso significa que trabalhadores dinamarqueses têm mais autonomia e poder no trabalho. Um exemplo: por lei, qualquer escritório dinamarquês com mais de 35 funcionários deve abrir vagas no board para seus empregados por votação em termos de igualdade aos demais membros do board.

3. Generosos benefícios para o desempregado

Se você perder seu emprego na Dinamarca, não é o fim do mundo. Na verdade, o seguro desemprego parece até bom demais para ser verdade, oferecendo aos trabalhadores 90% do seu salário original durante dois anos. Nos EUA, por outro lado, quem perde o emprego pode facilmente chegar a um desastre financeiro. Isso leva a um job lock (ficar no trabalho que você odeia) porque você não pode bancar sua saída. Para completar, até bem recentemente, perder seu emprego nos Estados Unidos significava perder seu plano de saúde.

4. Aprimoramento constante

Desde a metade de 1.800, a Dinamarca tem focado na educação a longo prazo de seus trabalhadores. Esta política continua até hoje, com um elaborado acordo entre o governo, os sindicatos e as políticas empresariais atendendo praticamente qualquer trabalhador que se interesse pelo aperfeiçoamento. É o chamado “active labor market policy” e a Dinamarca investe mais neste tipo de programa do que qualquer outro país do OECD.

Assim, os dinamarqueses estão sempre melhorando e se desenvolvendo no trabalho, o que ajuda a mantê-los relevantes (e empregados) mesmo em um ambiente de trabalho em constante mudança.

5. Foco na felicidade

Mesmo que a língua inglesa e dinamarquesa tenham muito em comum, ainda assim há palavras que não contém equivalência. E aqui está uma delas: arbejdsglæde. Arbedje significa trabalho e glæde felicidade. Juntando as duas, felicidade no trabalho. Esta palavra também existe em outros países nórdicos, como Suécia, Noruega, Finlândia e Islândia, mas não é comum encontrar em outro lugar do planeta.

Enquanto isso, no Japão, existe a palavra karoshi, que significa “morte por excesso de trabalho”. E isso não é uma coincidência. A existência da palavra em dinamarquês está diretamente ligada à tradição de longa data em fazer os empregados felizes. Para a maioria dos dinamarqueses, trabalhar não é somente uma forma de receber remuneração, eles realmente esperam se divertir no trabalho, gostar do que fazem.

Em paralelo, nos EUA, a atitude é bem diferente. Anos atrás, fiz um discurso em Chicago e um membro da plateia me disse: “claro que eu odeio meu trabalho, é por isso que me pagam para fazê-lo!”. Muitos americanos odeiam seus trabalhos e acham que isso é perfeitamente normal. Da mesma forma, muitos escritórios americanos fazem pouco ou nada para criar felicidade entre seus funcionários, mantendo-se fiel à filosofia “Se você está curtindo, então não está trabalhando o suficiente”.

Em resumo

Não estou querendo pintar as empresas dinamarquesas como utopias para os trabalhadores e os colegas americanos como workaholics sem coração. Existem ambientes de trabalho na Dinamarca que são horríveis e outros estelares nos EUA, como Zappos e Google. Mas estudos mostram diversas diferenças culturais e sistêmicas entre duas nações que servem para explicar porque trabalhadores dinamarqueses são, em sua maioria, muito mais felizes que os americanos. Isso tudo vai muito além de felicidade. Sabemos por diversas pesquisas e dados que os trabalhadores felizes são mais produtivos e inovadores e, por consequência, empresas felizes têm consumidores mais felizes e lucram mais. Talvez isso ajude a explicar porque os trabalhadores dinamarqueses estão entre os mais produtivos do OECD e porque a Dinamarca tem conseguido enfrentar a crise financeira relativamente bem, com taxa de desemprego de apenas 5.4%.

Alexander Kjerulf, “Chief Happiness Officer,” é um dos especialistas mais consagrados sobre workplace happiness e autor do livro “Happy Hour is 9 to 5: How to love your job, love your life and kick butt at work”.

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Nós aqui do GoHome achamos sempre válido questionar as velhas formas de encarar o trabalho e olhamos com entusiasmo o exemplo de outros sobre como o trabalho pode ser repensado. Ou melhor, deve.

1 Comment

  • Lailalemos

    Reply Reply 19 de abril de 2014

    Perfeito divulguem mais

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